Sexta, 6 de Janeiro de 2006
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Lisboa
06.01.06
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património
Especialista na obra de Garrett contra perda da sua última casa


maria joão pinto *
A demolição da casa em que Garrett faleceu constituirá uma perda irreversível, numa cidade, como Lisboa, "que vem perdendo memórias importantes". Em declarações ao DN, Ofélia Paiva Monteiro, uma das principais especialistas na obra de Garrett, nomeadamente no quadro do trabalho que, há largos anos, vem desenvolvendo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, disse encarar esse desaparecimento "com grande pena", como investigadora e como cidadã.

Em particular porque a casa de Santa Isabel, hoje Rua Saraiva de Carvalho, na qual o poeta viveu o "período terminal da sua doença", foi justamente "aquela para a qual projectou uma vida outra"; em particular também porque "temos dela uma descrição de raro detalhe", deixada pelo seu biógrafo, Francisco Gomes de Amorim, e que, sublinha, poderia ser a chave "para reconstituir" o que foram os seus interiores e decoração.

"Seria óptimo que a última residência de Garrett fosse convertida em casa de memória", referiu ainda Ofélia Paiva Monteiro, lembrando que outros usos para o imóvel, todos eles sob a égide do poeta e condizentes com o seu perfil e valor, poderiam ser encontrados, "como um centro de estudos ou uma biblioteca consagrados ao século XIX".

Apesar dos múltiplos apelos - extensivos à comunidade académica, nomeadamente pela voz de José-Augusto França e de Raquel Henriques da Silva - para que a última casa de Garrett seja poupada, o presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, reafirmou ontem que autarquia e proprietário - o actual ministro da Economia, Manuel Pinho - "não vão recuar" e que o imóvel será mesmo demolido.

Numa tentativa mais para evitar essa perda, o Forum Cidadania Lisboa vai publicar na Internet e na Imprensa um anúncio, sob o título "Casa de Almeida Garrett - Procura-se Mecenas". No anúncio, que constitui um claro repto à sociedade civil, o Forum aponta como pré-requisitos um "abnegado espírito altruísta" e a "disponibilidade para pagar pela casa as mais-valias exigidas pelo proprietário, incluindo o projecto de arquitectura aprovado" pelo município. O mecenas que se procura poderá contar, por outro lado, com "total empenho de mais de 2300 cidadãos assinantes da petição em prol da Casa de Garrett", lê-se em comunicado, em particular na "procura de espólio" e na "definição e execução de projecto de exploração do espaço".

* Com Lusa
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